Olho de Vidro
Discussões técnicas e não tão técnicas sobre cinema e vídeo digital, equipamentos, filmes.

Jul
09

No ano passado, o Yuri Vieira e eu, roteirizamos e dirigimos a realização do making of do VIII FICA (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental), cuja nona edição ocorreu há poucas semanas na cidade de Goiás. O trabalho sem pretensão, executado pelos participantes das oficinas de fotografia e edição coordenadas respectivamente por Dib Lutfi e João Paulo carvalho, acabou ficando muito legal e foi bastante elogiado, entre outras pessoas, por Ismail Xavier. O mérito é todo do grande inspirador, o guru Glauber Rocha.

Jul
08

Antes de mais nada, as escusas pela falta de manutenção do blog. Está difícil tirar tempo pra escrever, mas esperamos, em breve, sobretudo convidando mais colaboradores, que ele seja atualizado com maior regularidade.

O Gustavo Seabra, leitor do blog, perguntou num comentário a respeito de adaptadores de lentes de câmeras de cinema para câmeras de vídeo. É uma técnica interessante, que já vi em ação, e que realmente colabora muito para dar um look de cinema às imagens gravadas digitalmente, sobretudo por reduzir a profundidade de campo infinita do vídeo derivada principalmente do diminuto tamanho do CCD (1/2 polegada ou cerca de 12,5 mm, os maiores), em comparação com negativo, que tem 35 mm.

Há uma relação direta e fixa entre o tamanho do plano de imageamento (o filme ou o CCD) e a profundidade de campo que se obtém. Na verdade, há dois fatores interrelacionados que determinam esta profundidade: o tamanho do plano de imageamento e a distância focal da lente usada. São estes dois elementos que, por sua vez, determinam o ângulo de visão e , por esta via, a profundidade de campo.

Sintetizando, um plano de imageamento maior permite profundidades de campo menores sob uma mesma abertura de diafragma e distância focal igual. Daí resulta, em grande parte, o efeito dramático e estético superior das imagens em filme.

Este tipo de adaptador mencionado pelo Gustavo é produzido pela P + S Technik (não sei se há outros fabricantes) e presta um duplo serviço ao cineasta digital: 1) permite o uso de diferentes lentes de qualidade superior e distâncias focais variáveis em câmeras digitais que, via de regra, possuem lentes fixas e de distância focal limitada; 2) aumentam o plano de imageamento, produzindo uma profundidade de campo cinemática.

O adaptador, chamado “Mini 35″, é encaixado na frente da lente da câmera e, diante dele, encaixa-se a lente profissional desejada. A imagem captada pela lente profissional é projetada sobre uma placa de acrílico ou material semelhante, que passa a ser o plano de imageamento primário, de onde é captada pela lente fixa da câmera digital. O resultado é uma nova relação de profundidade de campo e imagens captadas por lentes de qualidade em geral muito superior.

O efeito é realmente sensacional. O custo não é, entretanto, dos mais acessíveis, mas evidentemente fica muito menor do que o de uma câmera 35 mm. O resultado vale à pena, caso se disponha de um pouco mais de recursos para o trabalho. No Brasil, sei que a Cine Locações de Brasília possui o equipamento e o utiliza em geral acoplado a uma HVX 200.

Jun
04

A Mandra Filmes é uma premiada empresa  de Goiânia especializada em animação 2D e 3D, efeitos visuais, edição, montagem, desenho de som e trilha musical. Oferece serviços nas áreas de cinema, vídeo, comerciais para televisão e multimídias, além de tocar seus próprios projetos na área de animação.

Jun
03

Duas em um post só.

O site Filmsound é possivelmente a melhor fonte na Internet sobre design de som e teoria de som para cinema. Vai para os links aí ao lado. Nele, entre muitas coisas muito úteis, há uma página apenas de artigos de Walter Murch, o mestre da edição de imagens e som, responsável pela montagem e som oscarizados de “O Paciente Inglês” e pelo desenho de som, edição e mixagem de clássicos como “A Conversação”, “Apocalipse Now” e “O Poderoso Chefão III“.

Seu livro “In the Blink of an Eye”, já referenciado em nossa biblioteca, é leitura obrigatória.

Jun
03

ENVIADO PELO BETO LEÃO:

Mais de 500 produções. Este foi o total de obras inscritas para a “Mostra Competitiva Brasileira de Curta-Metragem”, do “XVII Cine Ceará”

Deste total, foram selecionados 16 projetos para a competição (oito ficções, quatro documentários, três animações e um vídeo experimental). O Ceará está presente na disputa com uma produção em cada categoria.

Embora no mercado os curtas não tenham a visibilidade dos longas, nos festivais uma parcela do público comparece só pra aplaudir o segmento. Já para os realizadores, os filmes de menor duração permitem a maturação das idéias e o aperfeiçoamento técnico, servindo de balão de ensaio para produções mais ousadas.

No “XVII Cine Ceará”, os selecionados concorrem ao “Troféu Mucuripe”, em categorias semelhante as de longa-metragem (melhor filme, direção, ator, atriz, fotografia, edição, roteiro, som e direção de arte). Além disso, disputam prêmios em dinheiro concedido por alguns apoiadores do evento.

Um dos curtas selecionados para a mostra competitiva, é a ficção cearense “Sol de Amém”. Dirigido por Ives Albuquerque, a produção retrata uma história de fé ambientada no semi-árido, “lugar onde a espera é o alimento do tempo e a esperança se alimenta da alma”, como informa a sinopse. Albuquerque já participara de outras edições do Cine Ceará, se declara entusiasmado. “A seleção foi uma surpresa, sobretudo diante do número de inscritos. Apresentá-lo no nosso estado, para um público que conhece a realidade do sertão, é muito importante pra nós”, destaca. Read the rest of this entry »

Jun
02

Nos links aí ao lado, aparece agora a “Biblioteca do Cineasta Digital”, uma página específica do blog onde serão sempre acrescentadas novas leituras: livros e documentos online que contribuam com técnicas e conceitos para nossa formação como fazedores de filme. Todo livro mencionado ou comentado em posts no blog será referenciado lá.

Jun
02

O festival “Filmaka” anuncia a abertura de sua sétima competição.

Depois do sucesso das seis primeiras edições, o Filmaka lança o concurso com o tema “A Profecia”. As inscrições estão abertas até o dia 30 de junho de 2007.

Para concorrerem, os filmes devem ter entre 1 e 3 minutos e serem enviados através do site do festival até a meia-noite (fuso americano do Pacífico) do dia 30 de junho de 2007. Os primeiros 15 a 20 colocados a cada mês recebem um prêmio de US$ 500 e mais US$ 1000 a serem utilizados em um próximo filme, além de concorrerem ao grande prêmio anual: um contrato para um longa-metragem.

A Filmaka é uma nova competição mensal online, fundada e financiada por produtores independentes, tendo em seu juri cineastas como Werner Herzog, Neil LaBute e Wim Wenders. As obras podem ser faladas em qualquer língua.
Acesse o site do festival para ver as obras das competições anteriores, bem como o regulamento completo.

As incrições são gratuitas para estudantes de cinema.

Mai
31

A grande maioria dos longa-metragens e todos os curta-metragens produzidos no Brasil e em muitos outros países depende umbilicalmente do circuito de festivais para ganhar vida e público. É nestes eventos que os filmes passam pelo teste da crítica e onde, por esta via, diretores e profissionais do audiovisual se dão a conhecer.

Não obstante, quando terminamos um primeiro filme que consideramos digno de mostrar ao mundo, é muitas vezes difícil saber para que festivais enviá-lo, bem como se manter informado sobre os festivais que estão abrindo inscrições e ainda navegar entre as milhares de opções de eventos, gratuitos ou não, com premiações ou não, sempre à disposição. Na verdade, primeiro filme ou não, as opções são tantas (e impõem custos com Correios e inscrições) que dá quase desespero.

No Brasil, as melhores fontes de informações sobre mostras e festivais são o site da própria Ancine e o Kinoforum. Para o resto do mundo, não há nada como o site Withoutabox, que além de informações e um mecanismo de busca englobando milhares de festivais no planeta todo, possibilita cadastrar projetos e fazer rapidamente inscrições online para a maioria deles.

Finalmente, em papel, o manual indispensável é o “Ultimate Film Festival Survival Guide”, de Chris Gore. Mais que  indicar os melhores festivais para este ou aquele tipo de filme, o livro é um passo a passo para bolar uma estratégia de divulgação visando proporcionar maior visibilidade a seus trabalhos.

Mai
30

logo do programa Curta Dentro da Lei

A sétima arte como ponto de partida para debates com especialistas

O programa Curta Dentro da Lei visa estimular a relação dos telespectadores da TV Justiça por meio de debates temáticos diversificados pelo ponto de vista jurídico, antropológico, sociológico, filosófico e comportamental, após exibição de curtas-metragens.

Depois da exibição do curta-metragem, Cristiano Paixão, mediador do programa, conduz o debate com uma pessoa que representa a produção exibida e um especialista no tema abordado pelo filme em questão.

Curta Dentro da Lei traz para a TV Justiça a sétima arte valorizando os que têm espaço restrito para mostrar suas obras.

Inédito: Qua - 21h
Reprises: Sab - 17h / Dom - 1h / Ter - 7h

Para sintonizar em outros Estados, por favor acesse o site www.tvjustica.gov.br

Para sintonizar em Brasília:

Brasília

Net Brasília - canal 10

Por DTH para todo o Brasil
Directv: canal 209
Sky: canal 95

Satélite: Brasilsat B1
Freqüência de recepção: 3.649,00 MHz
Polarização: Vertical
Taxa de informação: 4399,00 Kbps
FEC: 3/4

PIDs:
Vídeo: 0289
Áudio: 0290
PCR: 0289

Mai
30

Há uma série de questões que devem ser observadas por quem quer dar aquele look de cinema a um filme gravado em vídeo digital. Ainda que haja bastante material sobre isso disponível, muitos dos cineastas digitais continuam incorrendo em erros e problemas.

A primeira destas questões é saber que, por mais que você se esforce, seu filme não terá a mesma cara que teria se fosse realmente filmado em película. Mas a boa notícia é que pode ficar muito legal e exibir um visual tremendamente atraente e sexy, se você der os passos certos.

Antes de mais nada, é preciso planejar. Este impacto visual não decorre simplesmente de gravar a 24 quadros por segundo, nem de alguns presets de câmera com nomes equivocados. Um visual de cinema depende sobretudo de um adequado entendimento de do encadeamento e relacionamento entre as várias fases de produção. Ele depende sobretudo de gravar do modo certo PARA QUE a finalização possa ser feita em condições ideais.

Com “finalização” quero dizer aquilo que é feito sobre o material audiovisual depois da edição de imagens, isto é, seu tratamento através de softwares adequados para a correção de cores, buscando o equilíbrio dentro de cada cena e entre as várias cenas de seu filme, bem como um visual que transmita determinadas sensações e emoções ao espectador. Dependendo do filme, isso pode significar buscar cenas com alto contraste de cores ou o reverso disso, cenas com pouco constraste; pode implicar também em privilegiar certas tonalidades, fazendo-as sobressair em relação às demais. Pode ser, quem sabe, por outro lado, puxar todas ou muitas das cenas em direção a certos tons, como o verde da Matrix, etc, etc.

Ponto essencial número um: cara de filme depende também da forma como as imagens são captadas, mas não há como obter este visual de forma satisfatória sem tratamento de imagens na pós-produção (nem mesmo para filmes em película, que dirá para imagens em vídeo). Read the rest of this entry »